Com licença poética ©
Categoria: Literatura

(PSiu: A intenção era que o meu poema tivesse a mesma disposição espacial do poema do Leminski que está no link. Não consegui.)

Paulo Leminski (1944 – 1989), com seu faro de fera, farejou nas pegadas de um certo bicho alfabeto o belíssimo poema que pode ser lido aqui. Eu, bicho leitor sempre na tocaia de palavras e frases, farejei no poema um outro poema. Eis:

o bicho leitor
(
predador natural do
bicho alfabeto)
vive faminto
de palavras
e frases

com os mil olhos
da gula
traça
tudo que é letra

palavras e frases
o bicho leitor
devora

mas lá estão
todas elas
no ventre do bicho alfabeto

© Nota de canapé: ver aqui.

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Paraíso tropical ©
Categoria: Televisão

Paraty – um discreto paraíso tropical – pareceu feita para mim. Estive lá na Flip 2006. Como me senti em casa naquela cidade dos tempos do império! Haveria melhor lugar para um “rei” nada principesco e de nenhuma majestade? Tudo me encantou naquela cidade. Num generoso perímetro dela, nada motorizado entra. Só há espaço para ruazinhas de pedras imperiais e pedestres pouco afeitos a caminhos (ruazinhas) de pedras… Em parte porque não tinha câmera digital, em parte porque há coisas que só escritas – Paraty é das palavras, não das imagens – , resolvi guardar Paraty unicamente na memória.

Gostei de tudo na Flip, mas quem me nocauteou mesmo foi a Santa Adélia Prado. Ela no púlpito e eu em compungida atitude de oração. Adélia me fez chorar “até ficar com dó de mim” (Chico Buarque). Tive um pequeno contratempo gastronômico logo no primeiro dia: comi algo que me fez muito mal. E eu, um devoto dos prazeres da mesa, passei um dia de jejum forçado e com uma fulgurante dor de cabeça… Mas me recuperei logo, a tempo de não perder nada da festa – cheguei um dia antes. Vindo embora de Paraty disse comigo: Paraty – eu volto! Isso foi em 2006. Ainda não voltei. Com a Flip 2012 logo ali, quem sabe não é chegada a hora de voltar?

© Nota de canapé: Telenovela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

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