Giz
Categoria: Literatura

O processo de escrita pressupõe o roubo, explícito ou não, de outros autores. Eu adoro praticar esse tipo de crime e não é sempre que me dou à honestidade de confessar o roubo, usando, como convém, as devidas aspas. O roubo de hoje é às claras. O alvo é um lindíssimo poema do Marcos Bagno (escritor, lingüista, professor da Unb) chamado Giz e que pode ser lido aqui. Tal como fiz com o poema O vôo, o que segue é mais uma colheita livre e despudorada em quintal alheio.

Tanto venho me entregando à escrita que quase sinto que não sou eu que escrevo. Escravo, nada mais faço que seguir a sina de lavrar, de escavar o chão cheio do que a vida espalha. Espelho, capto os brilhos do chão e os espalho no papel. Não, não sou eu que escrevo. Transcrevo o que uma voz me dita. É assim que eu, destemido lápis, ágil me risco nos campos minados da escrita.

(0)


 




Feliz por nada ©
Categoria: Literatura

“Existirmos – a que será que se destina?”, pergunta Caetano numa belíssima canção. A ser feliz, respondo eu. Como? Sendo, como sou, feliz por nada. Nunca medi, nem sei se é possível mensurar, mas presumo que meu índice de FIB (Felicidade Interna Bruta) é dos mais altos. Sou uma pessoa contente. Gosto da vida. Gosto de gente. Minha linhagem comunga com o que diz Adélia num poema: “Não quero faca, nem queijo. Quero a fome”. Tenho um grande apetite para a vida. E gente é o que há.

Entendo que ser feliz por nada é não depender de nenhum acontecimento exterior para estar feliz. É como me sinto. A felicidade está nos genes e creio que “sua raiz vai ao meu mil avô” (Adélia Prado). Acontecimentos exteriores interferem no meu índice de FIB, mas só ao ponto de fazê-lo oscilar para mais feliz ou menos feliz, nunca para infeliz. Hoje, por exemplo, porque é sexta-feira, meu FIB está altíssimo, com tendência a subir nas próximas horas, devendo chegar à pontuação máxima na manhã de sábado. Na segunda-feira, como é possível prever, o FIB estará em queda, mas mesmo assim num nível que me permitirá atravessar bem a semana. Por ora, só tenho olhos para o sábado. Vamos a ele!

© Nota de canapé: Mais recente livro da escritora Martha Medeiros.

(2)


 




© 2017 - ArteVida – A vida sem a arte é insustentável – Blog do Tarlei Martins - todos os direitos reservados
Design: V1 Digital - desenvolvido em WordPress