Toda sexta-feira ©
Categoria: Música

Toda sexta-feira toda cor é mais viva, todo o céu é mais azul, todo azul é mais celeste, todo ar é mais limpo, todo trânsito é mais amigável, todo dissabor é mais tolerável, todo trabalho é mais suportável, toda espera é mais prazerosa, toda promessa se cumpre, todo bom-dia é bem-vindo, todo rosto tem mais riso, todo riso é mais gostoso, toda piada é mais engraçada, toda fome tem mais apetite, toda sede tem mais água, toda hora que passa põe mais luz nos olhos, toda fala é um canto, todo canto embala o dia, todo o dia é mais alegre, toda alegria faz mais festa, toda festa tem mais graça, toda graça é quase de graça, todo mundo é mais feliz junto.

Tenhamos todos um bom fim de semana!

 

© Nota de canapé: Ótima música, e pouco conhecida, da Adriana Calcanhotto. Se não me falha a memória, foi gravada apenas pela Belô Velloso.

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A letra descalça ©
Categoria: Literatura

A constância com que venho escrevendo revela que tenho um certo gosto pela escrita. O durante da escrita é penoso. O antes é só maravilha. O depois é só descontentamento. Por isso alguém disse que escrever é uma vocação para o sofrimento. Não tenho vocação para o sofrimento, o que de cara me subtrai a condição de escritor, de artista da palavra. O que me cai melhor é a condição de escrevente, aquele que lida com as palavras como o artesão lida com sua matéria de trabalho. O lavor pode até resultar belo mas traz em si a marca do precário, do humilde, do anônimo, do que não tem gala nenhuma. Lidar com palavras é tão duro que só me disponho a encarar essa lida pela via do descompromisso, da brincadeira, da despretensão – do que resulta uma escrita descalça, de pé no chão. Está certo que gosto de escrever. Todavia, a vontade de escrever, quase incontrolável, surge justamente quando estou confrontado com outras obrigações. Quando posso escrever sem culpa, sem pressa, não tenho tanta vontade. Preciso não ter tempo para escrever, se se pode entender um tal paradoxo. Eu não entendo. Mas o pratico com rara assiduidade.

 

© Nota de canapé: Livro do poeta e filósofo Rubens Rodrigues Torres Filho.

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