Mamma, son tanto felice ©
Categoria: Literatura

Olha a graça do que escreveu Mario Quintana sobre a felicidade: “Quantas vezes a gente, em busca da ventura,/ Procede tal qual o avozinho infeliz:/ Em vão, por toda parte, os óculos procura/ Tendo-os na ponta do nariz!”. Digo isto para repetir que eu, de verdade, son tanto felice! E essa felicidade é mais coisa dos genes (a minha fortuna gratuita!) do que de sabedoria para viver a vida. Sou feliz por acaso. Manuel Bandeira, ao se saber tuberculoso jovenzíssimo, eternizou a certeza de morte próxima nos versos que dizem: “Uma vida inteira que poderia ter sido e não foi.” Para mim, os versos são o exato oposto: “Uma vida inteira que poderia não ter sido e foi.” E é. E eu? Agradeço muito e sempre. Não se pense que a minha vida é um mar de rosas. É só um jeito de ter para a vida um olhar compassivo. O certo é que tenho cá os meus buracos, meus tormentos, minhas tristezas, minhas angústias… O contentamento de viver, no entanto, se mantém para além de qualquer adversidade. Está certo o Riobaldo-Rosa: “Felicidade se acha é em horinhas de descuido.” Para fechar, uma frase que li em algum lugar: “Não é fácil encontrar a felicidade dentro da gente, mas é impossível encontrá-la em outro lugar.”

 

© Nota de canapé: Livro com que o escritor Luiz Ruffato, um mineirim danado de bom, estreou seu projeto ficcional “Inferno Provisório”, já a caminho do quinto e último volume. O livro anterior é o antológico “Eles eram muitos cavalos”, publicado em 2001, e eleito entre os 10 melhores da década em enquete feita pelo jornal O Globo. A trajetória do Ruffato é impressionante e foi contada recentemente pela jornalista Eliane Brum, aqui.

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Tudo o que eu queria te dizer ©
Categoria: Literatura

A tendência agora é o Twitter. Um tweet é um pio que não pode ir além dos 140 caracteres. E os tais que piam, emitem seus assobios em busca de seguidores. O incrível é que os achem – e aos montes. Prefiro seguir o conselho da Ana Elisa Ribeiro: “Siga em frente, não siga ninguém.” Inteira razão tem o Saramago quando diz que “os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.” Chegaremos lá. Apesar do bem-vindo exercício de concisão, não creio que dê para articular qualquer ideia com tamanha economia. Prefiro o caminho do meio entre a lauda e a linha. Fico com a estética do aforismo, eventualmente do desaforismo… Graças a ele, o aforismo, posso ir bem além de um tweet, ainda que a concisão continue sendo a marca dos text-foods que faço pousar aqui na tela.

 

© Nota de canapé: Livro da escritora Martha Medeiros, todo ele estruturado em forma de cartas escritas pelos personagens. O texto da Martha vem ocupando, com sucesso, todas as mídias disponíveis: livro, jornal, internet, teatro, cinema e televisão – a minissérie Divã está a caminho.

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