O que tinha de ser ©
Categoria: Música

 

Fico encantado com as aparentes assimetrias que regem nossas vidas. Pelo viés da lógica, eu devia me consagrar aos números com amorosa dedicação: sou bancário desde os 19 anos e fiz Ciências Contábeis. No entanto, apesar dessa aparente adesão aos números, a vida me proporcionou um maravilhoso desvio. Senão veja: o profissional da contabilidade é um contador. Pela autossuficiência que a ciência se outorga, não é necessário que se diga contador de quê. Eis aí uma primeira brecha para o meu desvio. No Aurélio, a primeira acepção para contador é aquele que conta, que refere, que relata… A última acepção é a que denomina o contador como indivíduo diplomado em contabilidade. O desvio de que falo me fez aderir, por certo de maneira inconsciente, à primeira acepção. Além disso, em tempos d’antanho contador era chamado de guarda-livros. Outra brecha para o desvio: passei a amar os livros, não exatamente os de contabilidade. E um último desvio, agora vindo da profissão bancária. A despeito da designação que se dê às funções de um bancário, somos todos, em essência, escriturários. O contador é também um escriturário. E de escriturário se vai a escrevente. O mágico desvio que a vida me proporcionou foi o poder (humílimo) de escriturar palavras, e não somente números. E de amar os livros como objetos táteis e transcendentes…

 

 © Nota de canapé: Canção de Tom Jobim e Vinícius de Morais, nomes que falam por si.

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